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Artigo

Adaptação da política automóvel ao “novo normal”

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COVID 19 Coronavirus

Por Sandra Bento | novembro 12, 2020

Em contexto de gestão de custos, o benefício automóvel, será provavelmente o mais complexo que os recursos humanos terão pela frente.

Perante uma segunda onda universal de contágio e a ameaça latente à segurança e sobrevivência de cada um de nós, o país volta ao estado de emergência. E com isto voltamos novamente ao novo modelo de vida, que muitos de nós experimentamos temporariamente, outros não, mas todos o sentimos inevitavelmente.

Em verdade, também descobrimos algumas vantagens deste novo modelo. Muitas empresas ofereceram de imediato a alternativa de home office, e muitos relatos têm demonstrado que funciona e, futuramente num modelo mais estruturado, pode até tornar-se mais económico para as empresas e até para o trabalhador.

E se antes, muitas pessoas usavam a casa como um dormitório, uma vez que passavam a maior parte do dia fora, no novo normal o lar é encarado de outra maneira. E já não precisamos percorrer grandes distâncias ou enfrentar filas de trânsito para fazermos reuniões, por exemplo. A tecnologia e o digital facilitam o novo paradigma.

Mudança de paradigma do benefício automóvel

De acordo com o Survey 2020 da Willis Towers Watson sobre o regresso ao trabalho, a percentagem de empregados a tempo inteiro que trabalham a partir de casa deverá aumentar de 7% para 22% após o COVID-19. Logo assistimos inevitavelmente a uma alteração na força de trabalho provocada pelo trabalho remoto, mas interessa também avaliar se a redução da mobilidade por parte destes colaboradores afeta a política automóvel e se há uma necessidade de rever a elegibilidade ou a forma como é atribuído o benefício automóvel.

Se os benefícios da empresa são uma preocupação para as empresas durante todo o período de instabilidade económica devido à pandemia provocada pela COVID-19, o benefício automóvel será provavelmente o mais complexo que os recursos humanos terão que gerir, sobretudo em mercados como Portugal, onde este benefício é bastante valorizado por parte dos colaboradores que dele usufruem.

Para as empresas, a preocupação imediata pode ser garantir que a frota atual seja assegurada e mantida, mas, tendo em conta que a gestão de custos está no topo da agenda há bastante tempo – e assim deverá continuar mesmo durante o período de recuperação - uma opção a não ignorar é a revisão dos programas de política automóvel e a sua eficácia para o futuro, por forma a alinhá-los com a limitação de novos orçamentos e com as necessidades atuais e futuras do negócio.

Alguns aspetos, como a negociação com o atual fornecedor, o trabalho remoto e a competitividade da política automóvel, bem como o impacto emocional nos colaboradores afetos a eventuais mudanças, são elementos que devem ser considerados pelas empresas quando avaliam os custos e os respetivos impactos tanto a curto como a médio prazo.

Revisão de contratos e poupança de custos

Sabemos que as alterações na força de trabalho e o trabalho remoto terão mantido veículos parados e menos utilizados. A pergunta que se coloca é “não existe aqui a oportunidade de rever as condições contratuais dos contratos de leasing?“.

Embora saibamos que as organizações no geral estão vinculadas aos termos contratuais e a uma flexibilidade previamente estabelecida, muitos são os contratos que permitem uma revisão, mas isso obviamente requer uma negociação com as empresas de leasing.

Há, no entanto, que avaliar bem este possível cenário e equacionar se merece a pena entrar na negociação da atual frota, mantendo apenas os veículos necessários, ou porventura alargar o prazo dos atuais contratos ou ainda garantir que os novos termos de contratação sejam mais adequados na revisão da nova frota.

Se por um lado as empresas são obrigadas a olhar para os custos e, eventualmente a rever a elegibilidade para a atribuição do benefício, pelas razões assinaladas anteriormente ou por outras, também é importante ter em conta como estas e outras medidas de alteração da política automóvel poderão afetar a capacidade de reter ou até mesmo atrair talentos. O impacto emocional pela atribuição de viatura não deve ser negligenciado e, no nosso país, ao contrário de outros, onde são concedidos subsídios em substituição do carro ou transporte, por exemplo, é um benefício extremamente valorizado e culturalmente enraizado. O impacto emocional de um carro é fortíssimo e é pouco provável que se altere apesar das circunstâncias atuais.

Em resumo

A monitorização das políticas automóvel, as alterações na força de trabalho e a mobilidade terão impacto na forma como as empresas gerem os seus custos e se adaptam para o novo normal. Os Recursos Humanos e/ou os gestores de frota podem aceder a dados de mercado para rever e modificar os programas de benefício automóvel e, que não passam apenas e só pela elegibilidade ou atribuição de viatura, marca ou modelo, mas também todos os detalhes que acompanham essa atribuição como flexibilidade no financiamento, quilometragem contratada ou número de anos de contrato e ainda formas alternativas ligadas à mobilidade, como subsídios ou outros.

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Associate Director, Data Services

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