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Artigos

O impacto da crise do coronavírus na experiência dos empregados

Descobertas de pesquisas globais e aprendizados para a liderança

Future of Work|Talent
COVID 19 Coronavirus

Por Patrick Kulesa | Junho 11, 2020

Era uma vez, e não há muito tempo, os empregados das empresas iam frequentemente ao escritório e trabalhavam lado a lado com seus colegas.

Hoje, as estimativas indicam que quatro em cada cinco empregados foram impactados pelo coronavírus, e aqueles momentos agora parecem bons e velhos tempos, perdidos nas novas demandas do trabalho em casa, reuniões virtuais e distanciamento social para aqueles que precisavam estar presentes nas empresas. Embora muito tenha sido escrito sobre como as organizações estão respondendo à crise, os desafios para os empregados têm sido profundos. Então, qual foi exatamente o impacto na experiência dos empregados, e o que as empresas precisam ter em mente nestes tempos de crise?

Em meados de março, quando o coronavírus se tornou uma crise global, lançamos a nossa Pesquisa de Pulso COVID-19. Desde então, temos acompanhado as experiências de empregados ao redor do mundo. Quando chegamos às nossas primeiras 100.000 respostas, levantamos uma amostra dos dados obtidos como forma de representação global. E o que isso nos diz?

Os empregados estão sentindo o impacto

Uma mensagem é clara: os empregados estão sentindo o impacto. E os dados mostram que isso está acontecendo principalmente em três áreas: 1) ansiedade, 2) distração e 3) preocupações financeiras.

  1. Ansiedade - noventa e dois por cento dos empregados relatam sentir alguma ansiedade proveniente da crise da COVID-19, com 55% indicando um grau moderado ou alto de ansiedade.

    92%
    dos empregados estão se sentindo ansiosos em decorrência do coronavírus.
    As mudanças drásticas do local de trabalho surgiram da noite para o dia, e agora, 76% dos empregados indicam que migraram para o trabalho remoto, em comum acordo com a empresa. Lidar com uma mudança tão dramática está provando ser um grande desafio. Embora uma pequena maioria (57%) concorde plenamente que está encontrando maneiras de lidar com o estresse adicional, apenas 39% dos empregados dizem que o mesmo se aplica aos seus colegas.
  2. Distrações - com todas as mudanças, 70% relatam pelo menos alguma distração no trabalho devido a preocupações com o coronavírus, com 26% indicando um grau de distração moderado ou alto. Fazer um malabarismo com todas essas preocupações é difícil; apenas cerca de um terço (32%) concorda plenamente que consegue equilibrar o trabalho de casa com outras responsabilidades.

    As distrações com filhos, animais de estimação, o marido trabalhando em casa também, são muito difíceis às vezes... mas estamos gerenciando.

  3. Financeiro - além da carga de trabalho, os empregados começaram a ter algumas preocupações financeiras, com 61% das pessoas relatando ao menos alguma nova preocupação relacionada às finanças devido ao coronavírus, e 25% indicando um grau moderado ou alto de preocupação. Como a pandemia do coronavírus é uma crise global de saúde que está deixando os empregados com mais estresse e preocupações, os benefícios que as empresas oferecem estão sob os holofotes. A eficácia dos benefícios é uma ótima oportunidade de melhoria nos resultados da pesquisa, pois menos da metade dos empregados (46%) concorda plenamente que sua empresa está facilitando o acesso e o uso dos benefícios, e 47% deles disseram que sabem como usufruir dos benefícios da empresa para o cuidado contra o coronavírus.

Os líderes estão evoluindo

Apesar dessas preocupações, os líderes estão recebendo notas muito boas em muitas de suas principais responsabilidades de trabalho, como apoiar pessoas e equipes a manter o foco, se comunicar, gerenciar tarefas e executá-las, e construir a confiança dos empregados. A grande maioria dos trabalhadores relata que concorda plenamente que os líderes têm sido eficazes nesses tópicos:

  • Foco das equipes nos objetivos do trabalho (78%)
  • Obtenção do suporte necessário no trabalho (74%)
  • Manter os empregados informados (73%)
  • Confiar nos líderes para responder aos novos desafios de negócios (71%)
  • Proteção à saúde e ao bem-estar dos funcionários (71%)
  • Adaptar procedimentos e fornecer ferramentas e recursos para trabalhar de forma produtiva (ambos 68%)

Comentários dos empregados

Com as primeiras 100.000 respostas da pesquisa, tivemos 58.347 comentários abertos à questão de como as empresas podem apoiar melhor os empregados para enfrentar os desafios do trabalho. A partir de uma análise temática de respostas escritas, os 10 tópicos mais frequentes estão listados abaixo:

  1. Realmente valorizaram a comunicação (18%)
  2. Luta para equilibrar família com trabalho (12%)
  3. A empresa está fazendo um bom trabalho (11%)
  4. Necessidade de melhorar a tecnologia (10%)
  5. Não são necessárias mudanças (9%)
  6. Necessidade de focar no cliente (8%)
  7. Liderança fazendo um ótimo trabalho (7%)
  8. Preocupações com a saúde (6%)
  9. Preocupações com a segurança (6%)
  10.  Problemas de rede (6%)

A importância da comunicação vem como o principal tópico nos comentários dos empregados. Assim como vemos nos resultados favoráveis da pesquisa, os entrevistados dão aos líderes notas altas para atualizações sobre as respostas da empresa à pandemia, frequência de avisos e transparência, embora alguns comentários mencionem o excesso de comunicação resultante da alta frequência de e-mail. Outros indicam que seus líderes estão oferecendo um apoio efetivo de modo geral ou estão fazendo um bom trabalho, e nenhuma mudança é necessária.

Outros aspectos que apareceram com alta frequência apontam para áreas de melhoria. Muitos empregados descrevem as demandas envolvidas em trabalhar em casa enquanto tentam equilibrar o tempo e as responsabilidades da família. Outros discutem a necessidade de investir seu próprio dinheiro para atualizar a tecnologia ou melhorar o acesso à internet. Muitos estão preocupados com a saúde ou segurança pessoal devido aos riscos relacionados ao coronavírus. Outros ainda relataram que mais atenção é necessária para melhor atender às necessidades dos clientes durante este tempo. Embora o sentimento geral dos comentários seja bastante positivo, essa ampla gama de sugestões indica que os empregadores podem aplicar muitas ações concretas para proporcionar uma melhor experiência aos empregados.

Lidando com a angústia: quais alavancas os líderes podem usar para melhorar a experiência dos empregados?

Como mencionamos no início, nossos resultados mostram três áreas principais de angústia dos empregados: 1) ansiedade, 2) distrações no trabalho e 3) preocupações financeiras. O que os líderes podem fazer para ajudar a limitar essas áreas de preocupação e, com isso, melhorar a experiência geral dos empregados? As respostas vêm da análise dos aspectos da experiência que geram níveis mais baixos de ansiedade, distração no trabalho e preocupação financeira. Entre os entrevistados de nosso estudo, determinamos os principais preditores estatísticos (ou fatores determinantes) da angústia dos empregados, e as conclusões fornecem algumas respostas para a liderança.

Aliviar a ansiedade - a ansiedade em relação ao coronavírus é a maior fonte de angústia do trabalhador, com 55% dos empregados indicando um grau moderado ou alto de ansiedade devido ao vírus. Dois aspectos da experiência preveem menores níveis de ansiedade:

  1. O primeiro é a capacidade de gerenciar problemas fora do trabalho e, assim, lidar melhor com tensões e estresse. Entre os empregados capazes de gerenciar problemas fora do trabalho, as taxas de ansiedade moderada a alta são de 49%, em comparação com 80% dos que se consideram incapazes de gerenciar problemas fora do trabalho.
  2. Além disso, o apoio do empregador ao bem-estar é um amortecedor contra a ansiedade. Os dados mostram que os suportes mais importantes estão relacionados ao papel direto dos líderes para entender os entraves no trabalho e a comunicação sobre ações que a liderança está tomando para proteger a saúde e o bem-estar dos empregados. Em resumo, o compartilhamento de informação pode diminuir a ansiedade.

Minimizar a distração no trabalho - a distração no trabalho é a segunda área de preocupação significativa dos empregados, com 26% indicando um grau moderado ou alto de distração. Grupos que fazem parte de times considerados fortes em trabalho em equipe relatam níveis de distração muito mais baixos em relação aos colegas que encontram dificuldades com a colaboração. Entre os empregados que trabalham em uma equipe bem integrada, as taxas de distração moderada a alta são de apenas 16%, em comparação com 56% dos que não possuem uma boa integração. Com tantas pessoas trabalhando de casa, o desafio e a oportunidade é encontrar um novo modo de engajamento positivo da equipe.

Reduzir a preocupação financeira - a preocupação financeira é a terceira fonte de preocupação, com 25% dos empregados indicando um grau moderado ou alto de estresse. Em grande parte, isso está relacionado à viabilidade futura dos negócios e ao impacto que essa incerteza poderia ter sobre eles individualmente. Os empregados relatam menos preocupações financeiras na medida em que percebem a liderança tomando as medidas necessárias para gerenciar os negócios e compartilhar informações relevantes. Esses fatores incluem:

  1. Maior clareza em relação aos controles de gastos, como viagens de trabalho e reuniões
  2. Maior foco nos processos para melhorar a produtividade
  3. Maior confiança de que a liderança está enfrentando os desafios atuais dos negócios

Existe uma grande diferença quando os líderes tratam estes pontos de forma adequada? Quando os empregados se sentem positivos em relação às ações que os líderes estão adotando nesses três tópicos, as taxas de preocupação financeira de moderada a alta são de 23%, em comparação com 56% dos empregados que acham que os líderes estão fazendo um bom trabalho.

No modo crise: combate à angústia do trabalhador

Os resultados de uma análise inicial da força de trabalho global em relação ao cenário de crise confirmam que as preocupações dos empregados são reais e graves, mas é também uma oportunidade para as empresas apoiarem as pessoas e desenvolverem um forte senso de solidariedade. Apesar das altas taxas de ansiedade, distração no trabalho e preocupação financeira, essas descobertas apontam para táticas que os empregadores podem aplicar agora:

  • Suporte para lidar melhor com o bem-estar devem aliviar as ansiedades
  • Construção de equipes mais fortes deve evitar as distrações no trabalho
  • Atender aos princípios básicos da gestão dos negócios deve reduzir as preocupações financeiras

Com grande parte da força de trabalho realizando suas tarefas em casa, o fluxo de informações assertivas e objetivas é crítico. Em um dos comentários da pesquisa, um entrevistado simplesmente disse que "honestidade radical é necessária". Até o momento em que os locais de trabalho estarão cheios novamente, o desafio para os empregadores é elaborar estratégias que aprimorem a experiência dos empregados como uma arma para combater os transtornos globais.

Autor

Global Director of Employee Survey Research, Willis Towers Watson’s Research & Innovation Center

Patrick Kulesa, Ph.D., is a member of the advanced analytics group within Willis Towers Watson’s Research & Innovation Center. He oversees a group that manages Willis Towers Watson’s database of benchmarks on employee opinion, leading a team of data analysts in the U.S., Europe, and Asia Pacific.

He has a Ph.D. in social psychology from Northwestern University and over 20 years of consulting experience. Patrick’s research has been published in trade industry and academic outlets, and is featured at major psychological, human resource, and industry conferences.


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