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Fusões e Aquisições: é preciso se preparar para a retomada

Mergers and Acquisitions
N/A

Por Natasha Ayres, Rio de Janeiro | Maio 13, 2020

Artigo desenvolvido pela Willis Towers Watson e publicado no portal do Estadão no dia 6 de maio de 2020.

Com as engrenagens da economia global quase paralisando diante do avanço da COVID-19, empresas começam a repensar suas estratégias que envolvem transações corporativas. Muitos acordos de fusões e aquisições foram suspensos até que haja maior clareza sobre o cenário após a pandemia ou terão seus critérios anteriores revisitados. O foco das organizações está na gestão do caixa, no bem-estar dos colaboradores e na continuação do negócio. Por outro lado, ao longo desse caminho, as empresas irão discutir as implicações da pandemia nas transações que estavam em curso ou que foram fechadas recentemente e, também, o que esperar para futuras negociações.

Antes da pandemia, o ano de 2020 se mostrava promissor para o segmento de fusões e aquisições.

Antes da pandemia, o ano de 2020 se mostrava promissor para o segmento de fusões e aquisições no Brasil com base em dados do primeiro trimestre, que indicavam um crescimento significativo do número de transações em comparação com 2019.

Posto isso, é de se esperar que as empresas, que estavam envolvidas em algum tipo de operação de fusão e aquisição, ou considerando esse caminho em seu planejamento estratégico, deverão investir um tempo significativo durante esta crise para reavaliar a empresa target em face da crise econômica, repensar os objetivos das operações que estavam em curso para definir se ainda fazem sentido e avaliar o impacto da crise no financiamento da transação.

Para os negócios que haviam sido fechados no curto prazo, as empresas certamente precisarão fazer uma revisão dos contratos de compra e venda, conhecidos como Sales Purchase Agreement (SPA). Eles descrevem todos os termos e condições para o fechamento do negócio, inclusive cláusulas que permitem rever o valor negociado após o fechamento devido à descoberta de algum risco não relacionado pela empresa target vendedora ou alguma mudança conjuntural que impacte a percepção de valor do negócio. Espera-se que, nesses casos, sejam revistos também os objetivos da integração do negócio e as sinergias esperadas.

Projetos de integração de empresas adquiridas no passado também estão sendo adiados. Eles visam o conhecimento das políticas de benefícios e de remuneração das empresas adquiridas com o objetivo de alinhá-las à estratégia de recursos humanos do comprador, identificar oportunidades de otimização de custos, processos e recursos.

Nos aventurando um pouco mais à frente no tempo, quando algum grau de confiança começar a se desenhar, esperamos ver um número crescente de transações resultantes de parcerias estratégicas entre empresas e investidores profissionais, oportunidades de aquisições resultantes de venda de unidades de negócios por empresas que sofreram impacto maior da crise em busca de liquidez ou como parte de reestruturação do seu negócio. Esse período pode trazer oportunidades de aquisições de ativos e empresas a preço baixo.

O ciclo pós-crise ainda é difícil de se desenhar, mas poderíamos arriscar dizer que as empresas terão reavaliado o seu modelo de negócio e seus objetivos estratégicos, o que poderá dar origem à transações futuras.

Adicionalmente, a mudança na forma de trabalho, com a maioria das empresas atuando de maneira remota, poderá, por exemplo, resultar em novos desafios em um processo de integração de negócio, colocando em evidência a gestão dos riscos cibernéticos, a comunicação efetiva com os colaboradores, a evolução dos padrões de consumo dos clientes e o novo perfil de liderança para esse novo cenário.

O trabalho remoto pode ter acarretado uma mudança de cultura para empresas resistentes a esse esquema, mas que, devido à crise de saúde pública, tiveram que se adaptar rapidamente a essa dinâmica para viabilizar a continuação do negócio durante o isolamento social.

Ao pensar na retomada dos projetos de M&A, é imprescindível que se tenha parceiros certos e especializados nesse tipo de transação para fazer o aconselhamento correto. Além disso, o time interno precisa estar estrategicamente alinhado para garantir agilidade e precisão, por isso é importante estarem próximos dos responsáveis pelo direcionamento estratégico da organização.

É necessário pensar também no lado humano dos processos de fusões e aquisições. Os profissionais de RH precisam ser capazes de se mover rapidamente durante a retomada para sustentar uma empresa adquirida. Enquanto uma equipe de negócios pode se concentrar na materialidade, a área de recursos humanos precisa garantir a melhor experiência possível para os colaboradores egressos de um período traumático de pandemia.

Por fim, não existem respostas prontas para o que nos espera no futuro. Mas a experiência nos mostra que processos de fusões e aquisições têm sucesso quando são direcionados, bem pensados e executados de maneira eficaz. Embora as empresas realizem transações de M&A por vários motivos, e cada negócio seja diferente, implementar e integrar bem continua sendo a marca registrada dos líderes bem-sucedidos.

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